Alagoas melhora notificação de óbitos

Com a implementação do Programa Vida no Trânsito, o município de Maceió melhora a notificação de óbitos por acidentes de trânsito. Neste post, compartilhamos uma publicação da Secretaria Municipal de Saúde de Maceió, no qual é apresentada a experiência de qualificação dos registros da causa básica da morte nas Declarações de Óbito das vítimas de acidentes de trânsito no município.

Conhecer os dados de mortalidade de trânsito é uma importante ferramenta para que os órgãos públicos possam tomar decisões para diminuir estes índices. O trabalho desenvolvido de forma integrada por órgãos da Saúde, Educação e de Trânsito municipais e estaduais possibilitaram que Alagoas saísse do último para o 4º lugar em relação à especificação do óbito por Acidentes de Transportes Terrestres (ATT).

Maceio

Os números são disponibilizados por meio dos relatórios obtidos no Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), que mostra as causas de morte por acidentes de trânsito, mas antes esses acontecimentos não eram especificados adequadamente, o que representou um total de 81% dos acidentes sem informações sobre seu acontecimento.

Ney Guedes Siqueira, da Gerência de Análise de Estado de Saúde, da SMS, declara que:

“Os dados sobre óbitos por Acidentes de Transporte Terrestre, que constam no SIM, na maioria das vezes, não contém a informação do tipo do acidente – colisão moto e carro, moto e moto, atropelamento por ônibus. O instrumento de coleta desses dados é a Declaração de Óbito.”

 

O trabalho só foi possível por meio do Programa Vida no Trânsito (PVT) de Maceió, que qualificou os dados do segundo semestre de 2018, referente às causas de óbitos por ATT não especificadas. Rozali Costa, técnica de referência do programa, conta que o comitê intersetorial municipal foi formado em 2013, envolvendo vários órgãos do município, sendo a SMS responsável pela articulação com os outros setores. Rozali declara que:

“A saúde se preocupou por conta dos altos índices de pessoas que morrem ou ficam com sequelas em acidentes de trânsito, impactando na saúde da população e envolve muitos recursos financeiros. Por isso, foi importante criar um comitê envolvendo várias instituições de trânsito, de saúde e de educação para trabalhar de forma conjunta na problemática do trânsito.”

 

O programa possibilita a construção de dados para serem analisados e que gerarão informação para tomada de decisão. Ney Guedes comenta:

“Hoje dispomos de tecnologias da informação que nos auxiliam nas tomadas de decisão, ferramentas de BI (business intelligence), geoprocessamento de dados e gráficos. Tudo isso ajuda a identificarmos, por exemplo, qual local ocorre mais acidentes fatais, o horário, a faixa etária, se foi a condição da via, a sinalização, imprudência do motorista ou pedestre, álcool ou velocidade.”

 

A melhora no índice se deu por um trabalho integrado por técnicos da Gerência de Vigilância das Doenças e Agravos Transmissíveis e não Transmissíveis (GVDATNT), Gerência de Análise de Estado de Saúde (GAES), Técnicos da Vigilância do Óbito e do Sistema de Informação de Vigilância à Saúde da Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas (Sesau), da Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT), do Núcleo Hospitalar de Vigilância Epidemiológica do Hospital Geral do Estado (HGE), do Corpo de Bombeiros, do Samu, da Secretaria Municipal de Saúde de Arapiraca e do Departamento Estadual de Trânsito (Detran/AL).

O Programa Vida no Trânsito

O Programa Vida no Trânsito é uma iniciativa do Ministério da Saúde voltado para a vigilância e prevenção de lesões e mortes no trânsito e promoção da saúde. O programa tem como foco das ações a intervenção em dois fatores de risco priorizados no Brasil, que são o de dirigir após o consumo de bebida alcoólica e velocidade excessiva ou inadequada, além de outros fatores ou grupos de vítimas identificados localmente a partir das análises dos dados.

Formado por diversos órgãos e instituições parceiras na área da saúde, educação e trânsito, a atuação tem finalidade de subsidiar gestores no fortalecimento de políticas de prevenção de lesões e mortes no trânsito, por meio da qualificação, planejamento, monitoramento, acompanhamento e avaliação das ações realizadas.

O comitê de Dados do Programa Vida no Trânsito se reúne mensalmente para construir um banco de dados de vítimas fatais de acidentes de trânsito com informações, como o local, hora e tipo do acidente, veículos envolvidos, se era condutor ou passageiro, quem socorreu, a idade e motivo do acidente.

 

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A qualificação em números

Alagoas à alguns anos configurava entre os piores estados na qualidade da informação da morte violenta de trânsito no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde, onde cerca de 80% de suas vítimas fatais eram classificadas no código V89 – Tipo de Veículo Não Especificado e assim não possuía a informação oficial sobre as reais causas que geravam estes eventos e nem tão pouco a identificação do tipo de veículo, dificultando o planejamento das ações.

Em 2020, com a ampliação da integração dos órgãos sobre o comando da coordenação do PVT no estado o avanço foi ainda maior, ficando apenas 04 vítimas classificadas no V89 do total de 602, representando 0,66%, trazendo Alagoas para 2° lugar no Brasil.

Tabela Maceio

Eloy Yanes, da Secretaria Estadual de Saúde de Alagoas declara que

“A metodologia do PVT permitiu atuar de forma integrada com vários órgãos, isto permitiu a soma de esforços e a contribuição de vários atores para identificar falhas no repasse da informação das vitimas e assim foi corrigindo o processo. A participação ativa dos técnicos representantes no comitê de morbimortalidade foi essencial nesta conquista.”

 

O Chefe de Educação para o Trânsito do Detran/AL, Antonio Monteiro, também registra a sua percepção da importância deste processo:

“Colocar Alagoas como segundo melhor estado do país já seria uma grande conquista a ser comemorada pela equipe do PVT do nosso estado, mas a maior conquista é que conhecendo melhor o problema podemos agir corretivamente de maneira muito mais assertiva e assim conseguimos preservar vidas de alagoanos. Executar as políticas de redução dos acidentes sejam elas ações de educação para o trânsito, ações de fiscalização ou intervenções de engenharia e mobilidade urbana se torna muito mais eficiente quando são planejadas de forma integrada com diversos órgãos da esfera estadual e municipal, com base em informações técnicas que identificam onde se necessita as intervenções e assim melhor se aplica o recurso público.”

Integração é a palavra chave

Com base nos resultados obtidos e declarações realizadas pelos técnicos e gestores, do município e estado, do Programa Vida no Trânsito de Maceió, fica nítida a importância do trabalho integrado entre pessoas e instituições. Contribuindo para os resultados positivos com impacto no âmbito estadual. Ao se deparar com a realidade da necessidade de qualificação de seus dados de mortalidade por acidentes de trânsito, os participantes do Programa se mobilizaram intersetorialmente, para atingir o objetivo estabelecido de qualificação das informações.

A etapa de qualificação e integração de dados da metodologia do Programa Vida no Trânsito, auxiliou no estabelecimento de passos claros para a obtenção dos resultados aqui apresentados. E esta qualificação de informações também trouxe resultados positivos para a redução de acidentes. Mas isto nós vamos contar em um próximo artigo 🙂

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