Florianópolis reduz mortes no trânsito com Programa Vida no Trânsito

Florianópolis reduz mortes no trânsito com Programa Vida no Trânsito em mais de 30% entre os anos de 2013 e 2019. O município integrou o projeto em 2012 e em 2014 lançou a Rede Vida no Trânsito (RVT) que conta com diversas instituições parceiras, organizações governamentais municipais, estaduais e da união, além de organizações sociais, empresariais e a sociedade civil. E como veremos mais adiante, a redução após a implementação da RVT foi ainda mais impactante.

Uma clara compreensão de propósito

A RVT estabeleceu como missão “Garantir o Direito à Vida no Trânsito” e como visão de futuro “Fazer de Florianópolis, até 2020, capital referência em educação, respeito, gentileza e paz no trânsito, reduzindo o número de mortes e feridos graves”. Esta proposição surgiu alinhada às diretrizes internacionais estabelecidas para a segurança no trânsito, como a Década de Ação pela Segurança no Trânsito e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas.

            A Década de Ação pela Segurança Viária, 2011-2020, instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU), propôs a meta de reduzir o número de mortes no trânsito previsto para 2020 (1.9 milhão de mortes/ano) em 50%. Os governos de todo o mundo se comprometem a tomar novas medidas para prevenir os acidentes no trânsito. Assim, reafirmamos nosso compromisso com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, que trazem uma menção inédita, explícita e direta com relação à Segurança Viária em uma de suas metas: Meta 3.6 – até 2030, reduzir pela metade as mortes e as lesões no mundo por acidentes de transporte terrestre (que em 2018 eram aproximadamente 1.3 milhão de mortes/ano).

            Para melhorias na segurança rodoviária faz-se necessário a humanização das rodovias, rigor na legislação e medidas que possam dar proteção aos grupos mais vulneráveis, como ciclistas e pedestres.

Florianópolis inicia no processo

Análises realizadas apontaram que, entre 2013 e 2019, houve pelo menos 398 mortes devidas a 369 desastres de trânsito ocorridos em Florianópolis. Para cada morte, estima-se 50 lesionados gravemente, de forma temporária ou permanente. O uso de álcool pelo condutor é o fator de risco identificado com maior frequência nestes desastres, seguido de excesso de velocidade e problemas relacionados à infraestrutura da via onde o desastre aconteceu.

O desafio do município é no sentido de desenvolver ações que contribuam para a redução das estatísticas apontadas nos relatórios. Dentre as ações primordiais apontadas pelos envolvidos estão as fiscalizações sistemáticas visando proteger vidas, a melhoria da infraestrutura e educação da população.

Tentamos manter a organização de eventos da RVT nas datas alusivas: Maio Amarelo, Semana Nacional do Trânsito, Dia Mundial em Memória às Vítimas do Trânsito, Carnaval e assim propondo a temática de trabalho anual para a RVT, divulgando ações nas diversas mídias com organização em  entrevistas em rádio e televisão e elaboração os Boletins da RVT e uso das mídias sociais facebook e Instagram (@redevidanotransitofloripa). Sempre esperamos dar visibilidade para a RVT e seus parceiros, assim como uma maior conscientização para um trânsito mais seguro. Realizamos uma reunião ampliada geral por mês com todos os parceiros onde são discutidas as ações e seus resultados. Também mantemos o grupo de informações e de educação ativos.

As palavras acima são da própria equipe da RVT e evidenciam a amplitude do trabalho realizado ao longo dos anos em que a metodologia do Programa vem sendo implementada no município.

Resultados

Pela primeira vez, desde o início da Rede Vida no Trânsito em Florianópolis (2012), foi observada redução significativa das mortes no trânsito da capital catarinense (veja na Figura 1). 

Florianópolis

O ano de 2019 trouxe uma redução no número de mortes no trânsito na cidade de Florianópolis em relação ao ano anterior.  De 55 mortes em 2018, o número caiu para 37 em 2019, uma redução de 33%.  A redução em relação à média dos anos anteriores foi de 38%.

A redução está diretamente ligada a uma maior fiscalização das Polícias e Guarda Municipal, principalmente em relação à Lei Seca, e também uma melhor infraestrutura e sinalização viária. É claro que não podemos comemorar, porque ainda há mortes. Mas a redução traz indícios de que o trabalho está surtindo efeito e deve ser intensificado.

Organização da Rede

Com o objetivo de zerar o número de mortes e vítimas graves relacionadas ao trânsito, a Rede Vida no Trânsito é formada por organizações públicas, empresariais e da sociedade civil. Os resultados foram alcançados em consequência de estratégia de gestão intersetorial que visa a prevenção de mortes e lesões no trânsito. Isto é realizado por meio de Plano de Ação Integrado com metodologia guiada pelo Ministério da Saúde, cujas ações são orientadas pela evidência científica e perfil epidemiológico local.

A sala de situação do Grupo de Informações (GI) faz parte Gestão dos Dados da Rede Vida no Trânsito de Florianópolis e tem como objetivo compilar e produzir informações relativas aos desastres de trânsito com óbitos e feridos graves, por meio da articulação intersetorial. Para tanto, o grupo busca identificar os desastres ocorridos em Florianópolis através das vítimas que foram a óbito em decorrência desses eventos (até 30 dias depois da ocorrência). Estas ocorrências são, então, avaliadas caso a caso, a fim de que sejam levantados os fatores de risco que contribuíram para os desastres. Os riscos, além de outras características como localização, são então compilados em informações para subsidiar a tomada de decisão e a implementação de ações daqueles comprometidos com a pacificação do trânsito.

O GI é formado por diversas instituições como o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU Estadual e Municipal), Instituto Médico Legal (IML), Vigilância Epidemiológica de Florianópolis, Polícia Rodoviária Federal, Policia Militar (através de suas unidades operacionais de área e da Rodoviária Estadual), Corpo de Bombeiros Militar,  Núcleo de Vigilância Epidemiológica do Hospital Governador Celso Ramos e Secretaria de Infraestrutura e Mobilidade Estadual (DEINFRA) que se reúnem quinzenalmente para a análise,  desde setembro de 2015.

Todas as Instituições participantes registram os dados acerca dos acidentes de Trânsito e trabalham as fontes dos dados existentes e disponíveis seguindo o fluxograma dos Sistemas de Informações próprios. A organização  de dados em planilhas são descritos no dicionário da base de dados que identifica todas as variáveis mínimas para construção e integração das fontes em uma lista única de vítimas. Após são comparados os dados e retirados os registros múltiplos de informações, ou seja, o mesmo registro de vítima computado pelos diversos registros institucionais. Após ocorre reclassificação de vítimas e acidentes para identificar  as vítimas como fatais e as graves. 

Atualmente, apenas os óbitos vêm sendo avaliados. É construído relatório dos dados. As reuniões e consolidação dos relatórios ficam sob a coordenação da Vigilância Epidemiológica Municipal.

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