Visualização de dados para segurança no trânsito – Parte I

As atividades relacionadas à segurança no trânsito vem produzindo um volume cada vez maior de dados, que se preparados e apresentados de forma apropriada, podem fornecer insights poderosos para o planejamento de intervenções tomada de decisões cada mais assertivas. Porém mesmo um conjunto de dados completo e bem organizado pode perder o seu potencial de impacto, quando as informações não são apresentadas de forma adequada, pois podem acabar não produzindo o conhecimento necessário para os técnicos e gestores que necessitam das informações para fundamentarem as suas atividades. 

Por isto é fundamental que todos os profissionais envolvidos na promoção de um trânsito mais seguro, saibam como aplicar os princípios de visualização de dados para apresentar as informações de forma que elas sejam transformadas em conhecimento e causem o impacto desejado na melhoria da segurança no trânsito.

Possivelmente a grande maioria das pessoas que precisou apresentar informações por meio de diagramas ou gráficos, já se deparou com a seguinte questão: Qual o melhor gráfico para apresentar a informação que desejo comunicar?

Independentemente se a pessoa utiliza um software de planilha eletrônica, como Excel, ou algum pacote estatístico como R ou SPSS, ou ainda os brilhosos e coloridos softwares de Business Intelligence (conhecidos como BI), é mais importante ter clareza do conhecimento que se deseja produzir, do que a ferramenta que será utilizada. Quando você possui clareza de qual a melhor forma de apresentação, até mesmo ferramentas mais “simples” e gratuitas podem lhe proporcionar o mesmo efeito que ferramentas caras e complexas.

Neste artigo vamos falar sobre quais os princípios devem ser observados na hora de apresentar informações de maneira visual (diagramas, gráficos, infográficos). Pois assim como as linguagens falada e escrita possuem uma forma de estrutura, que possibilitam que quem ouve entenda o que está sendo dito, ou quem lê entenda o que está escrito, da mesma forma existem princípios básicos que melhoram a visualização de dados. Assim, quem olha para a informação apresentada graficamente, entenderá com mais facilidade o que está querendo ser comunicado.

Informação conhecimento

E a melhor forma de iniciar é pensar sobre qual o propósito de cada diagrama ou gráfico que será elaborado. Um mesmo conjunto de dados (dataset), poderá permitir os mais variados tipos de análise, de acordo com os tipos de variáveis (características dos dados, normalmente organizadas em colunas das tabelas de dados) existentes nele. Os quatro propósitos básicos de apresentação visual podem ser classificados como:

  • Comparação: Características de duas ou mais variáveis independentemente se possuem relação entre si;
  • Relacionamento: Comparação de como duas ou mais variáveis se comportam;
  • Distribuição: Frequência de ocorrência de um ou mais eventos;
  • Composição: Apresenta as classes de elementos contidos em uma ou mais variáveis;

Após a definição do propósito do gráfico, chega então a hora de escolher qual o gráfico mais adequado e a melhor forma de apresentá-lo.

Escolhendo o gráfico mais adequado

Depois de todo o trabalho de coleta, preparação e tabulação dos dados, a elaboração da apresentação visual das informações é a coroação do trabalho. No diagrama abaixo elaboramos uma síntese de alguns dos principais tipos de gráficos para a apresentação de informações. Perceba que o ponto de partida para a escolha do gráfico, é responder a pergunta “O que você deseja demonstrar?”. Em seguida deve ser escolhida a forma como você deseja demonstrar as informações (comparação, relacionamento, composição ou distribuição). E com isto, basta seguir o caminho até o(s) gráfico(s) mais adequado(s) ao seu propósito.

Visualização de dados

Note que um mesmo tipo de informação, poderá eventualmente ser apresentado de mais de uma forma. Quando se deparar com esta situação, procure combinar o bom senso com a criatividade. Isto poderá contribuir também para evitar que a visualização dos gráficos se torne cansativa para o seu público, seja no telão de um auditório, ou mesmo na tela de um computador em um escritório.

Cuidado com as cores

Outro ponto importante na elaboração de gráficos é a atenção à escolha das cores utilizadas. Não é raro encontrar gráficos com cores que confundem o leitor, seja porque são muito parecidas entre si, ou porque não respeitam o contraste (relação entre tons claros e escuros), ou ainda quando não seguem um padrão de cores entre gráficos de uma mesma apresentação. Para resolver este problema o recomendado é que você utilize uma “paleta de cores”.

A paleta de cores é um conjunto de cores pré selecionadas e combinadas de forma harmônica para transmitir uma ideia ou sentimento. Veja na imagem abaixo alguns exemplos de paleta de cores para melhorar a visualização de dados de suas apresentações.

paleta de cores

A maioria dos softwares de planilha eletrônica (como Excel ou Open Office) produzem quase que a totalidade dos gráficos sugeridos no diagrama acima (inclusive com paletas de cores pré definidas), além de outros modelos que geralmente são variações dos gráficos apresentados aqui. Mas caso você já utilize ou tenha a intenção de utilizar ferramentas mais especializadas para a análise de dados, procure sempre ter em mente de que quando falamos de apresentação de informações “é melhor ter o básico bem feito do que algo mirabolante que pode ficar incompleto e não contribuir para a tomada de decisão necessária”.

Após escolher e montar o seu gráfico, é muito importante prestar atenção na escolha dos padrões de apresentação dos textos de títulos, legendas, valores e comentários. Isto é o que chamamos de “tipografia”.

Uma boa tipografia

Mas calma, se você não conhece este termo não há problemas. De forma simplificada, tipografia é a forma visual pela qual um texto é apresentado. Entender a ideia de tipografia, auxilia em algo extremamente importante, que é a harmonização entre tipos, tamanhos e espaçamentos das fontes que serão utilizadas na apresentação das informações.

Ao escolher as fontes com as quais irá trabalhar, considere a questão da legibilidade (o quanto auxiliará ou atrapalhará a leitura) e em seguida a estética em si. A seguir vamos apresentar os pontos principais a serem considerados para uma boa tipografia na produção e apresentação de informações.

Texto com serifa ou sem serifa

Serifas (ou serif em inglês) são os pequenos traços e prolongamentos que encontramos nas fontes.

serifa

A combinação entre o uso da serifa e o tamanho da fonte influenciará na facilitação da leitura de quem deseja compreender a informação apresentada.

serifa exemplo

No exemplo acima você pode perceber que as fontes sem serifa são mais fáceis de serem lidas. Fontes com serifa são recomendadas para textos longos de várias páginas. Evite utilizar serifa quando o tamanho da fonte for pequeno. Para títulos e comentários de gráficos e diagramas, as fontes sem serifa podem contribuir para a compreensão mais rápida do texto.

Atenção nas fontes para números

Outro ponto importante é o cuidado na escolha da fonte utilizada para apresentar números. Existem fontes que misturam os tamanhos de caracteres específicos (como no exemplo abaixo). Tenha cuidado ao verificar as fontes para números que ficam bonitas para a leitura em textos mais longos, mas que dificultam a leitura na apresentação de dados.

Fontes para números

Note que no caso da fonte Bell MT não há uniformidade na espessura do traço do número, e na fonte Constantia o número 8 fica acima da altura padrão dos números, enquanto os números 4, 5  e 9 ficam abaixo da altura da base dos números. Para o caso de apresentações de informações em gráficos, estas características podem dificultar a leitura e compreensão das informações apresentadas. Já as fontes Calibri e Open Sans possuem uma melhor uniformidade e podem ser melhor indicadas para a apresentação de informações em diagramas e gráficos. 

Alguns exemplos

Veja a seguir alguns exemplos de escolhas de tipos de gráfico e tipografia (combinação entre tipos de fontes para letra e números) e seu uso para informações de segurança no trânsito.

Combinando duas variáveis

No gráfico abaixo o objetivo é o de apresentar a variação entre a ocorrência de acidentes graves ao longo dos dias da semana (variável 1), segundo o turno do dia (variável 2) em que eles ocorreram.

Para isto foi utilizado um gráfico de barras acumuladas, com uma paleta de cores de tons de azul e cinza, e dois tipos de fonte (Gobold no título e Open Sans nos demais textos).

Exemplo Gráfico 1

Gráfico de linha para variação no tempo

No gráfico a seguir o objetivo é apresentar a variação no tempo dos índices de acidentalidade de um município qualquer.

Para isto foi utilizado um gráfico de linha, com uma paleta de cores contendo tons de púrpura, rosa e azul, e dois tipos de fonte (Montserrat no título e Arial nos demais textos).

Exemplo Gráfico 2

Árvore de distribuição

No exemplo a seguir o gráfico “árvore de distribuição” é utilizado para apresentar a proporção de vítimas fatais, segundo o grupo de usuários do sistema de mobilidade ao qual elas pertenciam no momento no qual sofreram o acidente.

Neste gráfico, foi utilizada uma paleta de cores degradê de azul, e dois tipos de fonte (Montserrat no título e Segoe UI nos conteúdos).

Exemplo Gráfico 3

Pensamentos finais

As boas práticas de visualização de dados na elaboração de gráficos que atrativos e que comuniquem de forma clara a informação desejada, iniciam pela compreensão dos princípios que apresentamos aqui. Em artigos futuros falaremos sobre mais dicas de visualização de dados e também outros tipos de gráficos como os mapas geográficos, mapas de calor e o boxplot. Fique ligado(a)!

Esperamos que este conteúdo lhe auxilie a encontrar as melhores formas de elaboração e apresentação de diagramas e gráficos que contribuam para a realização de seus objetivos. Lembre-se que a informação precisa ser transformada em conhecimento, e gráficos bem elaborados podem contribuir muito neste sentido.

Então agora é a hora de utilizar os conhecimentos aprendidos aqui, já no seu próximo gráfico. E na medida em que praticar, irá refinar as suas habilidades na qualidade da visualização de dados por meio de seus gráficos. Bom trabalho!!!

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1 comentário em “Visualização de dados para segurança no trânsito – Parte I”

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